Leia em 10 minutos
A fissura anal é uma pequena rachadura ou machucado que se desenvolve na borda do ânus. Muitas vezes, é confundida com outras condições, como hemorroidas, devido a sintomas semelhantes, como dor intensa e sangramento.
Neste artigo, você irá descobrir o que é a fissura anal, seus sintomas, as causas mais comuns e os tratamentos disponíveis para amenizar o desconforto e prevenir o seu surgimento. Boa leitura!
O que é fissura anal e quais os seus sintomas?
A fissura anal refere-se ao corte ou rachadura na borda do ânus, afetando pessoas de todas as idades, sendo mais frequente na parte posterior da região anal.
Os sintomas da fissura anal são bem característicos e podem variar em intensidade. Os mais comuns incluem:
- Dor intensa ao evacuar e/ou que persiste por várias horas após a evacuação.
- Sangramento vivo no vaso sanitário ou no papel.
- Sensação de uma pequena pele na borda anal.
As fissuras anais podem ser classificadas em dois tipos:
- Agudas: de início recente, que causam dor intensa e dificuldade para defecar.
- Crônicas: geralmente, duram de 8 a 12 semanas.
No caso agudo, a sensação é de um simples corte. A dor provoca uma contração involuntária e anormal do músculo esfíncter anal, conhecida como hipertonia, dificultando a cicatrização e a passagem das fezes nas evacuações subsequentes. Com o tempo, a dificuldade de cicatrização perpetua a hipertonia e a dor, tornando as bordas da ferida endurecidas e a fissura crônica.
Neste último caso, o tratamento tende a ser mais complexo, pois a diminuição do fluxo sanguíneo para a lesão e a dificuldade na cicatrização intensificam a dor e os demais sintomas.
Principais causas da fissura anal
A causa mais comum da fissura anal está associada ao trauma provocado pela evacuação de fezes duras, grandes ou secas, resultando em um pequeno corte doloroso que pode sangrar.
Outra causa pode ser a prática de sexo anal sem a devida lubrificação ou relaxamento. Além disso, pessoas que evacuam com frequência também apresentam maior tendência a desenvolver fissuras. O pós-operatório de cirurgias na região anal pode contribuir para o surgimento do problema, já que provoca contrações musculares que dificultam a cicatrização.
Como tratar fissura anal e minimizar seus sintomas
A maioria das fissuras anais é tratável de forma clínica. Porém, caso não haja resposta positiva, pode ser necessário um procedimento cirúrgico.
O tratamento inicial visa interromper o ciclo da fissura anal e minimizar os sintomas, especialmente a dor. O médico pode recomendar:
- Analgésicos orais ou tópicos.
- Medicamentos que diminuem a pressão excessiva no músculo do esfíncter anal e melhoram a vascularização local.
- Laxantes para facilitar a evacuação.
- Banho de assento com água morna.
- Dieta rica em fibras.
- Aumento na ingestão de água.
O tratamento clínico é suficiente em 80% dos casos. No entanto, nas fissuras crônicas, as bordas endurecidas dificultam a cicatrização.
O tratamento cirúrgico
Em casos mais graves, pode ser necessária a remoção da ferida antiga, transformando-a em uma nova. Junto com a fissurectomia (remoção da fissura crônica), é realizado um pequeno corte nas fibras musculares (esfincterotomia) para reduzir a hipertonia do esfíncter, que dificulta a cicatrização.
A indicação do melhor tratamento para a fissura anal deve ser feita pelo(a) médico(a) especialista após um diagnóstico clínico.
Cuidados pré-operatórios
O paciente deve seguir as orientações do médico cirurgião para se preparar para a cirurgia. Geralmente, recomenda-se o jejum na noite anterior e a interrupção do uso de medicamentos anticoagulantes alguns dias antes do procedimento. A intervenção costuma durar cerca de 30 minutos, e a alta é prevista para o mesmo dia.
Cuidados pós-operatórios
A cura completa, tanto no tratamento clínico quanto cirúrgico, pode levar até 10 semanas. Entretanto, a dor aguda tende a desaparecer alguns dias após a cirurgia, permitindo ao paciente retornar ao trabalho e às atividades diárias rapidamente, com mais disposição e menos desconforto.
Para evitar o retorno da fissura anal e seus sintomas, é crucial tratar adequadamente a constipação. Caso contrário, a causa da lesão permanecerá ativa, aumentando a probabilidade de recorrência.
A fissura anal nas mulheres
Embora a fissura anal seja uma condição comum que pode afetar qualquer pessoa, muitas mulheres enfrentam preconceitos em relação às doenças orificiais e ao exame proctológico. Isso pode ser especialmente constrangedor para elas, que estão entre as mais afetadas, visto que são mais propensas à constipação intestinal, o principal fator de risco.
Por isso, muitas preferem buscar uma médica mulher, sentindo-se menos expostas e mais seguras e confortáveis.
Entretanto, um dado preocupante justifica a relutância em buscar ajuda. Segundo o Conselho Federal de Medicina, 54,4% dos médicos são homens, enquanto apenas 45,6% são mulheres.
Apesar da menor representação, é essencial encontrar uma médica que transmita confiança e ofereça um atendimento humanizado. A fissura anal é um problema que tem tratamento e pode ser prevenido. Sem a terapia adequada, pode prejudicar significativamente a qualidade de vida da mulher.
Lembre-se de que as doenças orificiais são muito comuns, e a fissura anal não é exceção. Seu tratamento é simples, especialmente com o apoio adequado desde o início.
A Dra. Paola Meinicke é Médica Coloproctologista especialista em tratamentos de fissura anal e dedicada ao cuidado integral de seus pacientes.




